Os Casarões da Corte de D. João VI
Muitos casarões que abrigaram membros da corte real portuguesa com a vinda de Dom João VI ao Brasil, estão em ruínas ou desabando. Dos 150 imóveis registrados no Arquivo Nacional, apenas 8 estão ainda de pé.
Segundo o Conselho Nacional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), as edificações estão com a estrutura comprometida e somente dois casarões contam com apoio de verbas públicas. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) diz que estes casarões são “testemunhas” da época.
Os imóveis que contam com incentivo do governo são o Paço Imperial e a Quinta da Boa Vista. Com exceção destes dois casarões, nenhuma construção recebe qualquer tipo de verba para manutenção.
Segundo o historiador Milton Teixeira, “restou pouco da arquitetura daquela época. Acho isso um absurdo.”- continua ele-”Há casos clássicos, como o de Paris, em que o centro se desenvolveu, mas a parte histórica foi mantida.”
As Leis
A Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo federal são responsáveis, por lei, pela preservação desse patrimônio histórico.
O artigo 350 da Lei orgânica do Rio de Janeiro diz que “integram o patrimônio cultural do município os bens móveis, imóveis, públicos ou privados, de natureza ou valor histórico, arquitetônico[...] no território municipal, cuja conservação e proteção sejam do interesse público.”
A Constituição prevê ainda, no artigo 23, que os governos devem “impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de bens de valor histórico.”
200 anos da vinda da corte
Uma série de eventos está planejada para a comemoração dos 200 anos da chegada de Dom João VI e da corte portuguesa ao Brasil. O Rio de Janeiro celebra em 2008 a reabertura da antiga Igreja da Sé, o lançamento do “Dicionário do Brasil Joanino”, com 120 verbetes escritos por especialistas da época e a publicação da “Bibliografia da Impressão Régia” além de outras atrações.
A vinda da Corte
Em 1806, o imperador francês Napoleão Bonaparte declarou o Bloqueio Continental na Europa. Desta maneira, todos os países daquele continente deveriam fechar seus portos à Inglaterra, de forma a enfraquecer a economia daquele país. A política expansionista de Bonaparte tinha os ingleses como seus principais inimigos.
Dom João, que governava Portugal porque sua mãe sofria das faculdades mentais, foi convencido pelo embaixador da Inglaterra a se mudar para o Brasil com sua corte, pois seu país dependia da Inglaterra economicamente.
Fornecedores de Portugal, os ingleses eram consumidores tanto de Portugal quanto do Brasil, e, com a corte de Dom João em terras tupiniquins, os ingleses conseguiram garantir o acesso ao mercado brasileiro. No dia seguinte à chegada da corte ao Brasil, Lisboa foi invadida pelas tropas francesas.
História e Arquitetura
A dificuldade em encontrar de pé resquícios de uma história que está completando 200 anos em 2008, se deve também, segundo o arquiteto Fernando Veríssimo, da UFRJ, às mudanças arquitetônicas nas construções cariocas do século 20.
Ainda segundo Veríssimo, autor do livro ” Arquitetura no Brasil, de Cabral a D. João VI”, a Revolução Industrial e as renovações de estilo da década de 20 reconfiguraram as construções do Centro do Rio.
Boa parte das construções servia ainda às atividades comerciais de seus moradores, por isso suas portas eram altas e largas. ” Até por isso o centro do Rio começou a se transformar em um centro comercial.”, afirma Veríssimo.
Um imóvel na Rua do Riachuelo, na Lapa, ainda pode ser considerado um remanescente desse estilo, que é predominante em cidades com centros históricos, como o de Paraty, no sul fluminense.